Autopoeta

O Louco

O LOUCO

Perguntaste como me tornei louco. Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido,
despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas
máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia
confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas
ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa,
com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no
telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima,
para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma
inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras.
E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que
roubaram minhas máscaras!”
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura:
a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido,
pois aquele que nos compreende, escraviza alguma coisa em nós.

Gibran Khalil Gibran

Uma resposta

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  1. Katia said, on agosto 5, 2011 at 2:13 pm

    Maravilhoso Khalil !!
    Aconteceu comigo.Sei do que ele fala!
    A liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido!
    Katita


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