Autopoeta

Sobre Gaia na REBEA

Este é um texto que escrevi no ambiente da REBEA – Rede Brasileira de Educação Ambiental, trazendo um olhar à Teoria de Gaia, refutando a refutação de um companheiro da rede.

Prezado Germano e amig@s da REBEA,

Agradeço por trazer a Teoria de Gaia à pauta, este é um tema ainda pouco comentado e refletido na rede, apesar de suas profundas implicações na nossa forma de enxergar o mundo e a vida.

A pergunta que trago aqui é:

Por que a Hipótese Gaia não funciona na situação de os próprios organismos vivos “tentarem acabar com a vida no Planeta”?

Notem que coloquei a expressão entre aspas para salientar o tom provocativo da frase, pois sinceramente não acredito que nenhuma espécie viva, em nenhum tempo da Terra, tenha “tentado acabar com a vida no Planeta”.

Nem mesmo a espécie humana, dotada de consciência auto-reflexiva, está tentando acabar com a vida no planeta, simplesmente não sabe o que fazer e como agir para que isso não aconteça.

Pois então, Germano, não consigo ver refutação à Teoria de Gaia com esta situação. Afinal, em todo o universo das criaturas vivas, identificamos a presença de distúrbios auto-imunes, nas quais as próprias células do corpo se viram contra o organismo e provocam doenças capazes de desencadear a sua morte.

Podemos citar o câncer, a alergia, o reumatismo, o lúpus, e muitas outras. São doenças nas quais o próprio organismo se mobiliza contra si mesmo em processos que a medicina ainda está engatinhando para entender o que provoca isso.

Mas, enfim, o fato é que processos análogos ocorreram ao longo da vida de Gaia, assim como estão ocorrendo na atualidade.

O atual desequilíbrio auto-imune é a própria espécie Homo sapiens, nossa filogenia, que, com seu comportamento expansivo e insaciável,  se assemelha muito a um câncer em um organismo.

Assim, usando de analogias sistêmicas, questiono esta refutação a Gaia. Parece-me um raciocínio raso, em uma primeira vista.

Outra pergunta que faço é: quem está vivo? Você ou suas células?

Se responder que ambos, bem, nesse caso você pode ser capaz de considerar o fenômeno de Gaia com mais abertura de espírito. Afinal, cada criatura está viva. E, juntas, em uma teia interdependente que inclui a água, o ar, os minerais, parecem constituir o corpo da Terra, um grandioso sistema que apresenta o padrão de auto-organização presente em suas próprias células, organismos, comunidades e ecossistemas. As criaturas estão vivas, assim como a Terra está viva.

Gostaria de finalizar comentando o seguinte:

Dizer que a vida parece perseguir ativamente sua própria morte me chega como uma contradição,  quando os fatos mostram que, desde as arqueobactérias originais, há quatro bilhões de anos, o sistema planetário vem evoluindo ininterruptamente, sempre, a cada instante, adiando, com criatividade e adaptação, o momento da morte.

E é isso que cada criatura viva, cada célula viva, faz a todo momento, em seu imperativo autopoiético de viver, conhecer, ser, transcender: evitar a morte.

O fato é que há muita refutação à Gaia. Mas percebo que até hoje nenhuma se mostrou convincente ao ponto de eu deixar de acreditar que faço parte de um grande sistema vivo que nos unifica em nossa própria natureza.

Mas, enfim, os olhos captam o que quem está por trás deseja captar, não é mesmo?

Apresento abaixo um texto que escrevi sobre Gaia que, intuo,  suscita  reflexões pertinentes em torno dessa nova forma de enxergar o planeta Terra.

Saudações fraternais,

Filipe Freitas
https://autopoeta.wordpress.com

GAIA, O PLANETA VIVO

A Reconexão com Nossa Natureza Cósmica

Por Filipe Freitas (In: Alfabetização Ecológica – Manual do Educador. Belo Horizonte: MBR, 2005)

Muitos de nós temos a nítida impressão de que a Terra é muito mais do que uma esfera de rochas com uma camada de ar, repleta de água e habitada pelos seres vivos em sua superfície. Sentimos intuitivamente que pertencemos a uma grande unidade, algo que se forma a partir de nós, ao mesmo tempo em que nos acolhe e nos provê de tudo o que necessitamos.

Há muito tempo atrás, os gregos, pensando nessa perspectiva, deram à Terra a condição de uma divindade, e batizaram-na Gaia, a “mãe terra” que, confluindo com Urano, o “pai céu”, através das águas, fecundava toda a vida no planeta. Naqueles tempos, ciência e teologia eram a mesma coisa, e a ciência, apesar de menos precisa, tinha alma.

Com o passar do tempo, essa profunda relação mítica foi se enfraquecendo, ao passo que crescia um rigor acadêmico obcecado pela exatidão matemática e uma tendência de fragmentar a realidade para tentar explicá-la que tomou conta da ciência e promoveu sua ruptura com a subjetividade. Gaia ficou restrita à teologia e, na ciência mecanicista preocupada com números, quantidades e mensurações, a Terra acabou sendo transformada em uma espécie de máquina, uma estrutura inerte meramente habitada por seres vivos independentes que lutam entre si pela sobrevivência. Lembranças do mito de criação grego restaram somente no radical “geo”, com o qual foram denominadas algumas ciências da Terra, tais como Geologia e Geografia.

Daí se seguiram séculos de desconexão entre a humanidade e a natureza. Tal momento histórico foi marcado pelo antropocentrismo (o ser humano como centro da existência, a instância mais importante da criação divina) e pela voraz exploração dos recursos terrestres. O planeta, aos olhos de quem retirava as riquezas de suas entranhas e talhava sua superfície para satisfazer necessidades cada vez mais imediatistas, não passava de um depósito de suprimentos e local de despejo dos resíduos. Seguindo o mesmo raciocínio, todos os outros seres vivos se tornaram nada mais do que matéria-prima para os empreendimentos da espécie Homo sapiens.

Embora ao longo dos tempos sempre houvesse aqueles filósofos e cientistas que insistiam em trazer à tona a natureza viva da Terra, foi somente no Século 20, quando os astronautas puderam experienciar a extraordinária visão do planeta navegando na imensidão cósmica, que a percepção da Terra como um sistema integrado, um organismo vivo, começou a ressurgir. As fotografias daquela entidade azul e branca de inebriante beleza flutuando no espaço negro tomaram com reverência os sentimentos da humanidade.

Ao longo desse século, a ciência se tornou holística e redescobriu sua alma. E a teologia, movida por forças ecumênicas, reaproximou Gaia do inconsciente coletivo.

Na década de 1970, uma série de pesquisas de cientistas integrados aos avanços do pensamento sistêmico e às transformações paradigmáticas na ciência fez emergir uma teoria que, mais do que nunca, trazia à tona a natureza viva da Terra. Parecíamos enfim compreender que o planeta não é somente a nossa casa, mas é nosso corpo maior, nossa natureza cósmica.

James Lovelock e Lynn Margulis, químico e bióloga, em uma fascinante trajetória intelectual, conseguiram demonstrar que o ar, os oceanos e os solos eram muito mais que um mero ambiente para a vida. Eram, pois, parte da vida. Da mesma forma que os pêlos de um gato, ou as penas de um pássaro, o ar não é propriamente vivo, mas é produzido pela vida. Lovelock e Margulis compreenderam que todos os ecossistemas e seus suportes minerais e gasosos formam um gigantesco sistema unificado que apresenta uma dinâmica auto-reguladora, tal como ocorre nas células e organismos vivos que nós conhecemos.

Essa nova visão científica mostra que todos os aspectos da Terra se ligam através de laços de retroalimentação para regular o ambiente. Quando compreendemos a incrível conexão entre as partes vivas e não-vivas do planeta – como o magma do interior da Terra que é transformado ininterruptamente em crosta; a crosta que é transformada em micróbios e organismos; e estes seres vivos posteriormente voltando a ser crosta e a crosta transformando-se novamente em magma para completar o ciclo constante da autocriação – percebemos claramente que os domínios da Geologia e da Biologia não podem estar separados. Toda parte ou aspecto geológico da Terra que podemos encontrar é produto da atividade de sua dimensão biológica e vice-versa.

Nosso planeta jamais foi um lar pronto para usar, no qual as criaturas vivas se desenvolveram e ao qual se adaptaram. Rochas foram constantemente rearrumadas e se tornaram criaturas vivas, assim como as criaturas vivas rearrumaram rochas, transformando-as em habitats propícios, como também se decompuseram em rochas, transformando-se no próprio habitat.

Vida não pode ser parte de um ser vivo. A vida é a essência ou o processo de todo o ser vivo. Vida é processo de corpos, não de uma de suas partes. O mesmo se aplica à Terra. A vida é seu processo, seu tipo particular de organização, e não uma de suas partes. Podemos dizer que os organismos criam seus ambientes e são criados por eles, no mesmo sentido em que dizemos que as células criam seus próprios ambientes e são criadas por eles em nosso corpo.

A teoria que descreve a natureza autocriativa e auto-reguladora do nosso planeta foi batizada de Teoria de Gaia, reaproximando a ciência da teologia. Essa visão científica, que nos reconecta ao nosso corpo maior, o Planeta Terra, é uma das bases do pensamento ecológico. Não formula um conhecimento propriamente novo, mas resgata e traz à tona aquilo que nossos ancestrais já identificavam intuitivamente. A diferença é que agora a civilização está diante de um raciocínio que não necessita de aspectos místicos para nos mostrar a natureza viva da Terra. A linguagem científica exprime de maneira coesa e profundamente transformadora uma compreensão que é, em seu âmago, espiritual: pertencemos a uma rede viva. Compomos, juntamente com todas as outras criaturas, um ser planetário e co-evoluímos com ele.

Contudo, ainda existe uma força cultural conservadora que tenta impedir a incorporação dessa nova compreensão no cerne das atividades científicas. Por conta disso, ainda não há uma difusão consistente da visão e do aprendizado de Gaia nas escolas e universidades. É possível que, no futuro, a História registre que o reconhecimento da Terra como um organismo vivo foi combatido no Século 20 e no início do Século 21 por praticamente as mesmas razões por que foi combatida a teoria de Copérnico que dizia que a Terra girava em torno do Sol nos Séculos 16 e 17: porque transforma crenças fortemente enraizadas e questiona interesses adquiridos.

As implicações da visão do planeta como um ser vivo são profundas. Estamos nos reconectando com o organismo maior que é nossa natureza cósmica. Estamos aptos a compreender nosso papel nesse gigantesco sistema unificado, o corpo da Terra. Será que não somos o sistema nervoso de Gaia? Visto que por nossos olhos ela se viu pela primeira vez e por nossas mentes ela se tornou consciente de si mesma?

Enfim, será possível imaginarmos o que a percepção de Gaia acarretará aos nossos modelos sociais, econômicos, políticos e culturais, quando incorporarmos, de fato, a noção que somos, toda a comunidade da vida, um mesmo ser? O que acontecerá quando estivermos conscientes da intrigante realidade de que “eu sou o outro você”? Que vivemos e trabalhamos por um só coração?

GAIA ESTÁ MORRENDO: E A VIDA É O PIOR INIMIGO DE GAIA
Enviado por: “Germano Woehl Jr.” germano@ra-bugio.org.br   germanowoehl
Sex, 19 de Jun de 2009 10:35 am
Pessoal,

É muito interessante a leitura deste artigo. Mostra (com evidências científicas) de que a vida no planeta ficou por um triz diversas vezes. E todos os processos que desencadearam a extinção em massa foram internos (hipótese de GAIA não funcionou!). Há dois processos externos (meteoros e radiação gama), mas são controversos.

A proliferação descontrolada de micróbios foram os responsáveis em quase todos os eventos. Porém, o ser humano está trabalhando neste último processo de extinção em massa da vida na terra, conclui o artigo. Ou seja, em várias situações foram os próprios organismos vivos que tentaram acabar com a vida no Planeta.

Sugiro que usem (com cuidado)* o tradutor automático do google para ler o artigo completo.

*Por exemplo, tem uma parte que ele diz que “neste ponto a teoria de Gaia deixa a desejar”, a tradução saiu como “continua querendo”

Segue algumas partes relevantes que traduzi, destacando aqui a última frase

E o futuro? Aqui também podemos refutar Gaia, e este é talvez o mais interessante – e chocante – de todas as conclusões. A vida parece perseguir ativamente a sua própria morte, a Terra se move cada vez mais para o inevitável dia, quando retorna ao seu estado original: estéril.

Germano Woehl Junior

Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade

http://www.ra-bugio.org.br

Na hipótese de Gaia (de James Lovelock) é que a vida age como um agregado que interage com o ambiente físico de tal forma que não só mantém a Terra habitável mas continuamente melhora das condições da própria vida. E que isto ocorre através de uma série de interações (feedbacks) semelhantes aos sistemas biológicos de homeostase, o mecanismo pelo qual os organismos vivos mantêm um ambiente interno estável. Aqueles aspectos que mais afectam a habitabilidade do planeta, ou seja, a temperatura, a composição química dos oceanos e da água potável, bem como a composição da atmosfera, não são apenas influenciados pela vida, mas são controlados por ela.

Bom, estudos geológicos de bilhões de anos derrubam esta hipótese. Várias vezes os organismos vivos (micróbios) tentaram acabar com a vida no planeta, alterando a composição química da atmosfera.

A mais forte condenação à hipótese Gaia são os novos resultados do estudo de extinções em massa que ocorreram desde a evolução dos animais 565 milhões de anos atrás, de que tenha havido cinco maiores e mais cerca de 10 menores.

Quando em 1980 geólogos fizeram a descoberta de que a terra-quebrar o Cretáceo / Terciário extinção maciça de 65 milhões de anos atrás foi causada por um asteróide que atingem a Terra, que logo se tornou ortodoxia que todas as extinções massa tinha sido causada por eventos extraterrestres: impactos ou seja, no caso de extinção Ordovician a 443 milhões de anos atrás, uma gamma-ray burst. Estes eventos são chamadas de “Gaia neutro”, porque a vida não tem qualquer forma de preparação para eles.

E o futuro? Aqui também podemos refutar Gaia, e este é talvez o mais interessante – e chocante – de todas as descobertas. A vida parece perseguir ativamente a sua própria morte, a Terra se move cada vez mais para o inevitável dia, quando retorna ao seu estado original: estéril.

Se estes modelos estão corretos, a vida na Terra já está em sua velhice. A aventura que começou 3,8 bilhões de anos atrás, e é ainda o único que conhecemos da vida no universo, talvez tenha outra bilhões de anos para ser executado. A declínio gradual das emissões de CO2 na atmosfera, até se acabar, já começou – o efeito da queima de combustíveis fósseis é apenas um “soluço” (um incremento momentâneo). Gaia está morrendo. Viva longa Medea! Por enquanto.

Na hipótese de Gaia (de James Lovelock) é que a vida age como um agregado que interage com o ambiente físico de tal forma que não só mantém a Terra habitável mas continuamente melhora das condições da própria vida. E que isto ocorre através de uma série de interações (feedbacks) semelhantes aos sistemas biológicos de homeostase, o mecanismo pelo qual os organismos vivos mantêm um ambiente interno estável. Aqueles aspectos que mais afectam a habitabilidade do planeta, ou seja, a temperatura, a composição química dos oceanos e da água potável, bem como a composição da atmosfera, não são apenas influenciados pela vida, mas são controlados por ela.

Bom, estudos geológicos de bilhões de anos derrubam esta hipótese. Várias vezes os organismos vivos (micróbios) tentaram acabar com a vida no planeta, alterando a composição química da atmosfera.

A mais forte condenação à hipótese Gaia são os novos resultados do estudo de extinções em massa que ocorreram desde a evolução dos animais 565 milhões de anos atrás, de que tenha havido cinco maiores e mais cerca de 10 menores.

Quando em 1980 geólogos fizeram a descoberta de que a terra-quebrar o Cretáceo / Terciário extinção maciça de 65 milhões de anos atrás foi causada por um asteróide que atingem a Terra, que logo se tornou ortodoxia que todas as extinções massa tinha sido causada por eventos extraterrestres: impactos ou seja, no caso de extinção Ordovician a 443 milhões de anos atrás, uma gamma-ray burst. Estes eventos são chamadas de “Gaia neutro”, porque a vida não tem qualquer forma de preparação para eles.

E o futuro? Aqui também podemos refutar Gaia, e este é talvez o mais interessante – e chocante – de todas as descobertas. A vida parece perseguir ativamente a sua própria morte, a Terra se move cada vez mais para o inevitável dia, quando retorna ao seu estado original: estéril.

Se estes modelos estão corretos, a vida na Terra já está em sua velhice. A aventura que começou 3,8 bilhões de anos atrás, e é ainda o único que conhecemos da vida no universo, talvez tenha outra bilhões de anos para ser executado. A declínio gradual das emissões de CO2 na atmosfera, até se acabar, já começou – o efeito da queima de combustíveis fósseis é apenas um “soluço” (um incremento momentâneo). Gaia está morrendo. Viva longa Medea! Por enquanto.

AO CONTRÁRIO DO QUE DIZ LOVELOCK,
OS FILHOS DE GAIA QUEREM MATÁ-LA.

O Planeta Marte está a salvo.

A IRMÃ GÊMEA MALVADA DE GAIA: A VIDA é seu próprio pior inimigo?
Gaia’s evil twin: Is life its own worst enemy?

Newscientist – 17/06/2009
http://www.newscientist.com/article/mg20227131.400-gaias-evil-twin-is-life-its-own-worst-enemy.html?DCMP=NLC-nletter&nsref=mg20227131.400
a.. 17 June 2009 by Peter Ward
b.. Magazine issue 2713. Subscribe and get 4 free issues.
c.. For similar stories, visit the Endangered Species and Evolution Topic Guides
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Interactive graphic: Medean extinctions throughout evolutionary history

THE twin Viking landers that defied the odds to land on Mars in 1976 and 1977 had one primary goal: to find life. To the disappointment of nearly all concerned, the data they sent back was a sharp dash of cold water. The Martian surface was harsh and antibiotic and there was no sign of life.

To two NASA scientists, James Lovelock and Dian Hitchcock, this came as no surprise – in fact, they would have been amazed to see any evidence of life on Mars. A decade before Viking, Lovelock and Hitchcock, both atmospheric scientists, had used observations of the Martian atmosphere to deduce that there could be no life on the planet.

From their research arose one of the most influential, ground-breaking scientific ideas of the 20th century – the Gaia hypothesis, named after the ancient Greek goddess of the Earth, a nurturing “mother” of life. But is it correct? New scientific findings suggest that the nature of life on Earth is not at all like Gaia. If we were to choose a mythical mother figure to characterise the biosphere, it would more accurately be Medea, the murderous wife of Jason of the Argonauts. She was a sorceress, a princess – and a killer of her own children.

The Gaia story starts in the 1960s, when Lovelock and Hitchcock showed that the Martian atmosphere was in a state of chemical equilibrium – a stagnant pool of carbon dioxide with a dash of nitrogen but very little oxygen, methane or hydrogen. They contrasted it with our own, which they recognised as being in chemical disequilibrium, with CO2 and oxygen levels in constant flux. The key driver of this flux is life: photosynthesis exchanges CO2 for oxygen, and aerobic metabolism does the opposite. Without life, our atmosphere would radically change from the oxygen-rich and life-sustaining gaseous mix we breathe to one in chemical equilibrium – one that, like the Martian atmosphere, would be inimical to life.

Earth’s atmosphere is not only in flux, it is welcoming to life, and has been for billions of years. Similarly, Earth’s surface temperature, acidity and ocean chemistry seem to have been stable for billions of years, hovering around mean values that allow continued habitability. Pondering these implications, Lovelock began piecing together a novel view of life and its interaction with the planet that hosts it. Although he focused on Earth, his ideas have implications for any habitable planet, and he has spent the rest of his career honing them.

Stated briefly, the Gaia hypothesis is that life as an aggregate interacts with the physical environment in such a way that it not only keeps the Earth habitable but continually improves the conditions for life. It does this through a series of feedback systems similar to biological homeostasis, the mechanism by which living organisms maintain a stable internal environment. Those aspects that most affect the habitability of the planet – temperature, the chemical composition of the oceans and fresh water, and the make-up of the atmosphere – are not just influenced by life, they are controlled by it.

Lovelock’s concept has evolved over time, and Gaia has speciated into several different hypotheses (see “The many faces of Gaia”). Within a decade of his first writings he elevated his hypothesis to the scientifically stronger Gaia theory. In the mid-1970s he described his view of things as follows: “The Gaia theory says that the temperature, oxidation state, acidity and certain aspects of the rocks and waters are kept constant, and that this homeostasis is maintained by active feedback processes operated automatically and unconsciously by the biota.”

Lovelock eventually began to refer to the planet itself as some kind of superorganism. “The entire range of living matter… from whales to viruses and from oaks to algae could be regarded as constituting a single living entity capable of maintaining the Earth’s atmosphere to suit its overall needs and endowed with faculties and powers far beyond those of its constituent parts,” he wrote in his 1979 book Gaia: A new look at life on Earth. In other words, the Earth is not simply a planet that harbours life, it is itself alive.

The idea was simple and elegant, and quickly attracted many adherents, both scientists and non-scientists. Some researchers saw in Gaia a new way of thinking about the cycles of organic components and elements. Some followed Lovelock’s lead in searching for scientific support for the idea that life regulates conditions on the planet. Some, mainly non-scientists, saw in it a new view of how humans should relate to the planet and the rest of life. Some even found the face of god in the concept.

Gaia continues to generate scientific interest and debate: there have been three international conferences devoted to the hypothesis, the most recent in 2006

[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

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