Autopoeta

CONSPIRAÇÃO NÃO-VIOLENTA

Posted in consciência, sociedade by autopoeta on outubro 11, 2013

‘Mais do que trazer uma solução, estimulo a conspiração, mais do que buscar respostas, incentivo as perguntas.’

Estudantes de Nashville usam de estratégia não-violenta para por fim à segregação racial nos EUA na década de 1960.

Estudantes de Nashville usam de estratégia não-violenta para por fim à segregação racial nos EUA na década de 1960.

Acompanho atentamente as manifestações populares que pipocam ao redor do globo e tenho me ocupado em presenciar, na medida do possível, as passeatas e outros atos públicos em resposta aos desmandos e aberrações culturais que se manifestam atualmente.

Ao escrever artigos como este, tenho como intuito semear novos olhares que apoiem os grupos organizados a se orientarem de forma não-violenta, desocupando as mentes do combate aos inimigos e direcionando a mesma energia que seria usada para a guerra no sentido de criar estratégias e planos de ação. (more…)

REFLEXÕES DE UMA PASSEATA

Posted in consciência, sociedade by autopoeta on outubro 9, 2013
Foto de Pedro Kirilos (Agência O Globo)

Foto de Pedro Kirilos (Agência O Globo)

Estive presente na manifestação em apoio aos professores e pela educação no Brasil acontecida nesta segunda-feira, dia 7 de outubro de 2013.

Não me espantei com esta foto e tampouco com a estimativa de 50 mil pessoas, pois de fato havia muita gente na Avenida Rio Branco.

A passeata foi um movimento festivo, um espetáculo da diversidade, muita gente diferente manifestando-se por uma causa consensualmente considerada muito relevante para a evolução da sociedade, ou seja, aspectos positivos em meio à turbulência da atualidade.

Cheguei em casa, contudo, com uma forte sensação de que tudo pode ser mais coerente e efetivo. E a conclusão que alcancei é que se entoarmos mais cantos em favor da vida, da educação, das virtudes, da nossa força de ação, do que nos conecta, provavelmente ganharemos vitalidade, coesão e eficácia.

Ontem predominaram os repetitivos ataques aos políticos advindos dos microfones e megafones dos líderes das instituições sindicais e políticas e o coro da população. Cabral e Paes como unânimes alvos, e Dilma, cujos ataques em sua direção não alcançavam a mesma intensidade.

Aquele ditado que diz “falem mal, mas falem de mim” ressoou em mim de uma forma um tanto nefasta.

Foram cantados sequencialmente dezenas, centenas de gritos de guerra e revolta, tal como o “Eu não aguento mais/ Sergio Cabral e Eduardo Paes”, e com isso, vejam o contrassenso, evocamos a presença dos dois o tempo todo.

Acompanhem a reflexão: dar peso e destaque tão evidente a estas pessoas é como retroalimentarmos a presença delas entre nós, algo antagônico ao nosso desejo mais profundo de nos vermos livres do poder sombrio que elas exercem hoje.

Além disso, a atenção toda voltada para o combate aos políticos traz um peso desnecessário que nos impulsiona à raiva e à agressão como forças motrizes.

Será esta estratégia inteligente e/ou producente?

A sensação que me toma é que se concentramos a energia de manifestação no sentido da violência, acabamos por retroalimentar a violência do Estado e da polícia.

Sim, existe uma energia agressiva habitando os corações de boa parte das pessoas que ali se manifestavam. Algo como uma herança cultural de nossa raiz ameríndia entranhada em nossa condição de povo mestiço lutando contra a opressão. E reconheço-a como uma força de resposta visceral legítima a qual devemos honrar.

Sinto, contudo, que podemos destinar menos energia aos inimigos e mais energia às forças de integração e planos de ação propositivos visando higienizar as esferas do governo e fazer as reformas que tanto necessitamos.

Tenho uma intuição de que não será preciso a guerra para sermos bem sucedidos na reforma.

Bastam inteligência, capacidade de organização e confiança mútua. E que possamos nos apoiar nos valores humanos e nas virtudes universais que nos fornecem um chão firme e partilhado.

Na medida em que as manifestações tornam-se mais educativas, culturais, celebrativas e organizativas, damos menos espaço para a violência de ambas as partes.

Sinto que é nessa direção que devemos caminhar: fazer dos encontros da multidão espaços de aprendizagem, trabalho coletivo e diversão para enriquecer e trazer eficiência aos nossos impulsos de revolta e combate.

Não tenho claramente o quê e como fazer para que estes objetivos sejam alcançados, mas lanço sementes de não-violência no terreno das manifestações populares.

Estes apontamentos são, na verdade, reflexões intempestivas da madrugada de um tempo incerto e instável.

De tudo, duas convicções:

Primeira: a violência não acabará com violência.

Segunda: para além destas questões levantadas, acredito no poder de transformação cultural da multidão organizada e estarei na próxima convergência, fazendo aqui um chamado aos irmãos e irmãs para que sejamos novamente milhões nas ruas, pela educação e pela dignidade do povo brasileiro.

Fraternalmente,

Filipe Freitas

SOBRE AS MANIFESTAÇÕES POPULARES E O PROCESSO DE TRANSIÇÃO

Posted in consciência, sociedade by autopoeta on junho 17, 2013

[… que estas não se caracterizem simplesmente por quantidade de gente e volume de barulho, mas principalmente pela qualidade das relações e pela eficácia das atitudes.]

arte_comunicacao colaborativa na diversidade

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Este texto começa a ser escrito ao constatar que estamos diante de uma força de supressão ordenada pelo Estado para conter as manifestações populares neste inverno de 2013.

Atos recorrentes de opressão à liberdade de expressão violam a constituição e afrontam a democracia e expõem a discrepância insana entre governo e sociedade, o primeiro a serviço de forças políticas e econômicas que representam 1% da população.

Penso que esta repressão violenta parece oriunda de um medo estrutural crescente que o governo e quem está por trás dele estão sentindo. Em algum lugar, já perceberam que a configuração em rede é soberana e esta se faz uma grande ameaça aos seus mecanismos de manipulação e controle.

Nutro uma convicção de que o fluxo dessa rede consciente emergente é inexorável e mais cedo ou mais tarde um novo paradigma integrador vai prevalecer e dissipará essa estrutura dominadora que parece parasitar o corpo da sociedade e o planeta Terra como um todo.

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