Autopoeta

CONSPIRAÇÃO NÃO-VIOLENTA

Posted in consciência, sociedade by autopoeta on outubro 11, 2013

‘Mais do que trazer uma solução, estimulo a conspiração, mais do que buscar respostas, incentivo as perguntas.’

Estudantes de Nashville usam de estratégia não-violenta para por fim à segregação racial nos EUA na década de 1960.

Estudantes de Nashville usam de estratégia não-violenta para por fim à segregação racial nos EUA na década de 1960.

Acompanho atentamente as manifestações populares que pipocam ao redor do globo e tenho me ocupado em presenciar, na medida do possível, as passeatas e outros atos públicos em resposta aos desmandos e aberrações culturais que se manifestam atualmente.

Ao escrever artigos como este, tenho como intuito semear novos olhares que apoiem os grupos organizados a se orientarem de forma não-violenta, desocupando as mentes do combate aos inimigos e direcionando a mesma energia que seria usada para a guerra no sentido de criar estratégias e planos de ação.

Nutro a convicção de que a violência não vai acabar com a violência e precisamos de outros arranjos para efetivamente desbancar a quadrilha que se apropriou da Terra em benefício próprio, tomando conta e utilizando a estrutura de todas as esferas do governo.

Minha crença é que a força obscura que está no comando usa de estratégias para aguçar a agressividade das pessoas e fomentar o combate. Afinal, lembremos que é esta força obscura que controla a indústria de armas que serão utilizadas nos fronts.

Assim emerge um grande paradoxo da atualidade: as forças de opressão se nutrem e ganham mais poder com a violência popular, visto que esta gera mais poder econômico à elite e tem efeitos fragmentadores e dissociativos no âmbito dos movimentos sociais.

Uma grande virada se dará quando a inteligência coletiva tomar consciência dessa estratégia e nos reorganizarmos para pararmos de alimentar tal estrutura.

Acontece que hoje estamos, como população, muito indignados, a raiva muito aflorada, e assim essa manipulação da violência encontra eco e a guerra se faz legítima. Ou, no mínimo, é a estratégia aparentemente mais apropriada ou acessível para lidar com os desmandos absurdos advindos de um governo controlado pelas máfias.

Entretanto, a não ser para satisfazer a fantasia de videogame de muitos indivíduos que cresceram assistindo aos comandos em ação, aos super-heróis, e sonham em derrotar o inimigo, em um imaginário belicista sedutor, a realidade de guerra não é desejável para a população.

Além disso, parece ingênuo delinear uma estratégia de guerra contra a estrutura mais potencialmente armada da galáxia e que tem o poder de, em caso de uma improvável derrota, implodir toda a biosfera.

A insuficiência de nossas estratégias se expressa quando acreditamos e reforçamos que, ou derrotamos o inimigo, ou seguimos oprimidos. É essa dicotomia que os agentes de manipulação midiática são hábeis em fomentar.

Ou seja, precisamos de um outro raciocínio e é nesse contexto que sinto a estratégia não-violenta com grande potencial de eficácia na atualidade.

O desafio é que, para ela ser adotada, precisamos investigar as raízes da própria violência pessoal, a violência que cada um de nós sustenta no enfrentamento de nossos inimigos interiores e exteriores.

Tal movimento de olhar pra dentro e visitar as próprias sombras é muitas vezes mais difícil do que refletir a sombra do outro e reproduzir as relações violentas às quais já estamos condicionados.

Aqui pretendo suscitar o entendimento de que vale a pena aceitar esse desafio. Na medida em que criamos contextos favoráveis para a transição, o apoio mútuo permitirá essa investigação interior e a consequente eclosão de novas atitudes e comportamentos fundados na não-violência.

Em um exercício de imaginação de como a manifestação não-violenta pode se dar, vejo uma passeata assertiva, em que as pessoas se reconhecem na coletividade e não sob a égide de uma bandeira específica.

Vejo os gritos e os cantos chamando a atenção para a força da população, para a beleza das crianças, para nossa inventividade, para a capacidade de transformação, muito mais do que xingando ou reclamando de alguém ou de alguma estrutura.

Expressão artística, rodas de aprendizagem, estruturas de informação e coleta de assinaturas, feiras de produtos e serviços, intercâmbio de saberes e habilidades. Todo um universo de interatividade baseado em uma lógica de integração, utilizando-se a mesma energia que hoje é mobilizada para o confronto.

Sem serem cantados e sem precisarmos ocupar nossas mentes com eles, os agentes do governo recebem a influência da manifestação nas reverberações que os manifestos não-violentos acarretam nas famílias, nas vizinhanças, nas escolas, nas empresas, na vida da sociedade.

Algumas tendências que se fortalecerão com a ação não-violenta:

Grupos organizados de ação reformadora se aliando em uma rede e operando na burocracia para cessar os desmandos e fazer valer a justiça em seu sentido mais amplo nas instituições.

Grupos organizados de ação educativa se aliando em redes de bairros, ruas, fazendo a transição acontecer na vida cotidiana.

Comunicação em rede de apoio à transição fundada nas qualidades humanas –compaixão, paz, empatia, amor –, nas virtudes universais – bondade, beleza, justiça e verdade – e no conhecimento – mito, filosofia, ciência e arte.

Transição cultural no entretenimento e nas artes, instigando novos conteúdos nos livros, filmes, multimídias, etc.

Tal consciência coletiva, que ainda não existe, se traduz em tomar o poder da própria existência. Aqui este poder se expressa como verbo: poder realizar, poder reformar, poder escolher, poder prosperar.

Como já sugeri, é possível que esta consciência necessite de algumas décadas para emergir, mas é aqui e agora que ela está criando suas raízes para lançar seu tronco rumo à realização.

Mais do que trazer uma solução, estimulo a conspiração, mais do que buscar respostas, incentivo as perguntas.

Que sejamos capazes de nos organizar a partir de vínculos benéficos de mutualismo e assim dinamizar a inteligência coletiva e a expressão das potencialidades de cada um. Avante!

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Uma resposta

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  1. Luz13 said, on outubro 29, 2013 at 5:59 pm

    Oi, gostei do blog e partilho uma grande dica para quem gosta de participar de um BOM debate!.
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