Autopoeta

Por um Novo Projeto Político

Posted in consciência, sociedade by autopoeta on março 17, 2016

 

‘Não há como permanecermos no cativeiro cognitivo que reduz a realidade a duas hipóteses apenas. A tomada de poder pela oposição de direita ou a continuidade do projeto de esquerda através do PT no governo. Será mesmo que estamos fadados a essa pobreza intelectual, social e mesmo espiritual? Não é possível que só tenhamos essas duas opções!’

Padroes_MandalasMoventes

Nesse momento de agudização das polaridades, venho difundindo uma ideia que é abstrata e distante, mas, contudo, viável, em minha opinião.

Um novo projeto político que, em um exercício de imaginação, seria como a confluência de PSOL, Rede Sustentabilidade, Raiz Cidadanista, mais bons nomes de outros partidos como Eduardo Jorge, Cristóvam Buarque, Reguffe, Eduardo Suplicy, Olívio Dutra, entre outr@s, unidos por um ideal de cidadania contra a corrupção.

Isso significa pensar e caminhar para além da polarização atual.

Em um projeto assim é fundamental que sejam desenvolvidas habilidades de comunicação para integrar as diferenças de pensamento, ou seja, mais razão comunicativa, mais escuta colaborativa, mais ecologia da consciência, enfim… a distância disso para a realidade é grande, o que dá a essa ideia uma conotação de inalcançável, eu hei de concordar.

Mas, enfim, em tempos de angústia, acredito que o antídoto é sonhar.

Estou sugerindo e fomentando um novo projeto político capaz de desenvolver:

1. mecanismos de regulação/anticorrupção para uma atuação comprometida com um ideário de cidadania;

2. Estruturas de ampliação da democracia participativa, com o desenvolvimento de mecanismos eletrônicos de consulta e deliberação;

2. habilidades de diálogo entre os pensamentos ideológicos diversos;

3. bons antídotos contra radicalismos de qualquer natureza ideológica.

Pessoalmente considero fundamental garantir que este governo atual siga até o final, se não houver provas irrefutáveis para o contrário.

Insinuações, especulações, investigações e pressão midiática não podem desconstruir o processo democrático da sociedade brasileira. O desafio é como apontar criticamente a necessidade do fim deste ciclo do PT, o imperativo da renovação democrática, sem dar forças à oposição PSDB/Globo.

Não há como permanecermos no cativeiro cognitivo que reduz a realidade a duas hipóteses apenas. A tomada de poder pela oposição de direita ou a continuidade do projeto de esquerda através do PT no governo. Será mesmo que estamos fadados a essa pobreza intelectual, social e mesmo espiritual? Não é possível que só tenhamos essas duas opções!

Precisamos desatrofiar nosso senso político e pensar em um outro projeto para os próximos ciclos. Da forma que está hoje, qualquer um dos lados que vença a guerra posta, teremos tempos muito sombrios.

Acima de tudo, esse momento é uma grande oportunidade para que cada um de nós façamos um exercício de autocrítica de forma a investigar as próprias fontes de corrupção internas e assim possamos ser capazes de participar de um projeto de cidadania.

Pelo fim dos privilégios.

Pela ação política integrativa e não-violenta.

Em favor do bem estar coletivo e suprimindo o poder oligárquico.

Em favor da cidadania e contra a corrupção.

‪#‎cidadaniaxcorrupção‬ ‪#‎cancertemcura‬ ‪#‎ecologiadaconsciência‬

Sobre os Limites da Percepção Polarizada

Posted in consciência, gerais, sociedade by autopoeta on março 10, 2016

É o momento de criar encontros políticos, debates, reunir a juventude, incentivar a visão crítica, enfim. Estamos em uma encruzilhada histórica e para superá-la precisaremos de muita criatividade, assertividade e disposição.

 Arte_UnifiedField
***
Qualquer pessoa com pensamento democrático, inclusive dentro do PT, há de reconhecer que 16 anos de governo são suficientes para se definir um caminho de trabalho e, com isso, receber, ou não, a legitimação da população.
 
Depois de 13 anos, a legitimação do governo do PT existe para menos da metade d@s brasileir@s, se consideramos o grande contingente de pessoas que votou na Dilma para não votar no Aécio e se decepcionam progressivamente com as alianças com o que há de mais retrógrado na política brasileira, com a relação consolidada com a corporatocracia, com a impressionante ineficiência na gestão da crise econômica e com os métodos obscuros de fazer política que emergem das investigações.
 
Não são somente @s muit@s seguidor@s da ‘oposição golpista’ que não legitimam o governo do PT atualmente. Há hoje uma parte muito significativa da população, na qual eu me incluo, que um dia apoiou a onda de renovação por um governo popular que permeou as eleições de Lula em 2002 e 2006 e mesmo em 2010 com a eleição de Dilma (e até mesmo em 2014 com um voto útil para evitar que o grupo político anterior voltasse ao poder), e hoje vê um projeto de governo míope, entregue às forças dos bancos e do capitalismo internacional, com uma política ambiental medíocre, e fadado ao fracasso pela rigidez ideológica e pelo alto índice de corrupção interna.
 
O PT, fundado em valores humanistas de bem estar dos trabalhadores, tem seu papel histórico, realizou avanços fundamentais para a dignidade da população e nada impede que, com sua evolução, e um processo profundo de autocrítica, retorne ao governo em um momento futuro.
 
Em meu íntimo, todavia, reconheço que não há como seguir nutrindo esse projeto de governo para o próximo ciclo eleitoral. Trazer o Lula de volta em 2018 é como jogar gasolina no estopim da bomba, acirrar um conflito que desafia o enorme manancial de paz do povo brasileiro.
 
O grande desafio é que do outro lado da disputa está uma oposição perigosa liderada pelos clãs oligárquicos que, há séculos, desde as capitanias hereditárias, governam o Brasil, dominando as concessões da comunicação, e em forte aliança com as forças internacionais do mercado e das finanças.
 
Beneficiando-se do baixo nível de capacidade intelectual da população* e através da influência de mídias massivas, esta oposição desde sempre minou o governo do PT e segue em movimento ávido para retomar o poder e perpetuar o jogo histórico do poder oligárquico.
 
Daí o sentimento de estar entre a cruz e a espada. E aqui habita um ponto chave, em minha opinião, que torna este cativeiro cognitivo uma ‘prisão de segurança máxima’.
 
Se não compreendermos que forças mundiais de manipulação controlam os dois lados: tanto o ‘governo do PT’ como a ‘oposição golpista’ e, através de uma engenharia do consenso, reduzem a realidade a estas duas possibilidades apenas, não conseguiremos sair dessa situação de raiva destrutiva e medo paralisante.
 
Enquanto não compreendermos esse jogo, um enorme campo de articulação e inovação política segue atrofiado. E essa polarização dominou a consciência coletiva, reforçando a fragmentação e engaiolando a população em ideologias que se excluem. Dissociada, a cidadania brasileira hoje está à mercê da corrupção.
 
Aqui escrevo por um novo projeto político que abra as portas das gaiolas, gere integração, baseado em um pensamento sistêmico, de rede, e que, em primeira instância, reforce a polaridade ‘cidadania x corrupção’. Se precisamos nos guiar por polaridades, que seja esta a nortear uma plataforma política nesse momento.
 
Uma plataforma cidadã orientada para o bem estar coletivo e para a democracia, em oposição às forças corruptoras que operam em benefício próprio às custas do mundo, buscando sempre mais poder, e às forças do totalitarismo, qualquer que seja a ideologia por trás.
 
Este novo projeto político ainda é uma abstração no cenário político brasileiro. Mas ainda assim é algo que pode ser fomentando, o que, como cidadão, estou a fazer.
 
É o momento de criar encontros políticos, debates, reunir a juventude, incentivar a visão crítica, enfim. Estamos em uma encruzilhada histórica e para superá-la precisaremos de muita criatividade, assertividade e disposição.
 
Aqui me pergunto, e te pergunto, é possível?
 
 
***
 
*Segundo um estudo baseado no Indicador de Alfabetismo Funcional, 69% do povo brasileiro está entre o analfabetismo e o letramento elementar, sem habilidades para interpretar um texto, por exemplo. Fonte: http://bit.ly/1M1wcJf

 

CIDADANIA X CORRUPÇÃO

Posted in consciência, sociedade by autopoeta on dezembro 9, 2015

fractal 08

 *

 

A atual situação política brasileira é uma grande oportunidade para superarmos antigos e envelhecidos modelos políticos e ampliarmos a noção de cidadania. A união pela democracia nos oferece uma singular oportunidade para transcender as dicotomias que, por muito tempo, cindiram/cindem a humanidade:

brancos x índios e negros,

homens x mulheres,

patrões x empregados,

judeus x cristãos x muçulmanos x nativos,

capitalistas x socialistas

conservadores x liberais,

Podemos agora orientar a política para uma única e mais abrangente polaridade: quem está agindo a partir de valores humanistas e ecológicos x quem reproduz uma lógica usurpadora egocêntrica antiética.

A cidadania é um conceito que representa a primeira. A corrupção é um conceito que representa a segunda. A sociedade é como um grande espectro entre um pólo e outro e a corrupção hoje prevalece entranhada no sistema político.

O fato é que existem cidadãos e corruptos brancos, índios, negros, homens, mulheres, patrões, empregados, judeus, cristãos, muçulmanos, nativos, capitalistas, socialistas, conservadores, liberais… variando basicamente proporções.

(Reforço que, em última instância, a divisão entre cidadãos e corruptos é errônea, pois não existem propriamente uns e outros, estamos todos lidando internamente com diferentes níveis de cidadania e corrupção.)

É possível identificamos, em todos os lados, quem está atuando no mundo através de humanismo e ecologia e quem está infringindo e bloqueando a evolução agindo deliberada e desequilibradamente por interesses pessoais.

Cidadania x corrupção é a polaridade política que deve nos orientar.

O que passa é que corruptos desenvolveram, há séculos, estratégias sociais em que fragmentam os cidadãos em diversos ‘caixotes’ ideológicos. É uma estratégia e tanto, e possivelmente a única forma de conter a força da cidadania.

Então: estou sugerindo que é possível que o povo brasileiro tenha alcançado um nível de compreensão cultural que favoreça um salto na direção da cidadania, um abrupto aumento do seu significado e sua prevalência na sociedade. A ocupação das escolas em São Paulo é um indício do que estou falando.

Ao transcender as divisões mentais de raças, gêneros, credos, ideologias e reforçar as ações integradas que garantam a ética cidadã nas instâncias de tomada de decisão que viabilizam a sociedade, encontramos a chave para atuar efetivamente sobre o crime organizado e os regimes totalitaristas.

O Estado democrático erigido pelo esforço do povo brasileiro ao longo de muitas décadas é o nosso grande tesouro cultural e é em sua defesa que todos devemos atuar neste momento.

E trago a necessidade de pensarmos um projeto político que estabeleça uma plataforma que ressignifique papeis e desconstrua antagonismos no âmbito da cidadania, a partir de uma perspectiva educativa, gerando força física e espiritual para extirpar a corrupção das instâncias de poder.

Para tanto precisamos dar conta de olhar para dentro e identificar a violência que habita cada um de nós. O trabalho sobre os próprios núcleos de corrupção é muito mais efetivo do que o trabalho de apontar a corrupção dos outros.

Fortalecendo nossos mecanismos de autorregulação, podemos de fato criar estruturas eficazes para dissipar a corrupção organizada que se apropriou do Brasil e do mundo.

Ainda estamos aprisionados, mas as sementes da liberdade já estão semeadas.

*********

PS. Optei por não modificar o padrão da língua portuguesa, mas peço que considerem, contudo, as palavras como genéric@s.

AS DIMENSÕES DO UNIVERSO

Posted in Uncategorized by autopoeta on novembro 16, 2014

Vejam esta animação com as dimensões dos planetas e estrelas:

Die größten Sterne im Universum

E esta situa as estrelas no céu:

Universo 3D | Comparação: Planetas e Estrelas

Se estiverem com mais tempo e quiserem mergulhar nessas visões:

Journey to the Edge of the Universe

Obras como estas, disponíveis às crianças e toda a humanidade, permitem nos enxergar em nossa ínfima grandeza e nossa imensa pequenez.

Essa é a profunda educação, a educação para transcender a cisão da consciência e viver de conhecer, interagir, integrar, conectar, relacionar, realizar e sentir a maravilha do universo.

Cosmos_olho de deus

ECOLOGIA DA CONSCIÊNCIA

Posted in arte, ciência, consciência by autopoeta on maio 31, 2014

 

arte_morte vida evolucao

Ecologia da Consciência
 
Através do Espírito, o mundo sempre foi uno; e agora, através da tecnologia eletrônica, o mundo está aprendendo novamente a se ver como uma unidade.
 
Não temos ainda uma política que acompanhe a evolução da nossa espiritualidade, arte e ciência. E esta parece ser a tarefa talhada para a nossa geração. “Despertai, jovens da nova era!”
 
Para sairmos de uma condição de ideologias em conflito para uma ecologia da consciência em níveis globais, vamos precisar de um esclarecimento mais profundo.
 
Os opostos
 
ordem e liberdade
tradição e inovação
conservação e expansão
 
tensionam o mundo e assim
 
aperfeiçoam a sensibilidade
expandem a consciência
desdobram a evolução.
 
Princípios que emanam desta maneira de pensar:
 
Os opostos são inerentes e se complementam.
A oposição é essencial, não deixará de existir.
O oponente não é o inimigo, é o que faz evoluir.
 
***
#ecologiadaconsciencia #cidadaniaxcorrupcao #cancertemcura

 

 

SOMOS TODOS FILHOS DAS ESTRELAS ou O PADRÃO QUE UNE

Posted in arte, ciência, consciência, eventos by autopoeta on dezembro 4, 2013

Família, amig@s e parceir@s,

Esta é a palestra que apresentei no TEDx Ver-o-Peso 2013, acontecido em março, em Belém do Pará.

Tive a honra de ser o último palestrante de um dia marcado por fortes emoções, um dia especial para quem esteve presente àquele teatro.

Faço uma grande apreciação ao trabalho esmerado de uma equipe brilhante coordenada por Karina Miotto e Analu Xirra, que proporcionou uma enxurrada de arte, conhecimento e belas histórias que nos fizeram rir e chorar e se emocionar com profundidade.

Digo isso para contextualizar minha palestra, intitulada ”Somos Todos Filhos das Estrelas” ou ”O Padrão que Une”, que fechou o dia.

O formato TED Talk convida @s palestrantes a um exercício de síntese. São palestras de 3 a 18 minutos nas quais o objetivo é criar totalidades significativas de conhecimento em pílulas que se espalham pelo mundo através da internet.

Uma nova escola global gerando um manancial de visões e práticas que, por sua vez, influencia o campo cultural como um todo, atuando como uma medicina planetária.

Considerando que a síntese é um desafio para mim e um dos meus grandes exercícios na vida (haja visto, por exemplo, o tamanho desta introdução : ), minha palestra ficou em 23 minutos.

Faço votos que possam reservar estes minutos e me acompanhar através das ideias e da vivência que induzi junto à plateia no final.

Quero agradecer aos amig@s que participaram das apresentações preparatórias, com uma menção especial ao Ricardo Mendes, por sugestões preciosas e grande incentivo.

Também agradecer ao grupo de Terra Una e à comunidade do Gaia Education pelo contexto fértil do qual emergiu este conjunto de ideias.

E por fim fazer uma menção à qualidade do registro audiovisual realizado pela produtora Clarté. Lindas imagens e bela direção de cena.

É isso, que possam apreciar. Gratidão!

Filipe Freitas

***********************************

Links relacionados:

Eu menciono dois TED Talks durante a palestra. Eis os links:

‪Servindo a onda da luz: Robert Happé at TEDxDaLuz:

http://www.youtube.com/watch?v=E6vFYSVjRdc

‪TEDxSF – Louie Schwartzberg – Gratidão (legendado):

‪http://www.youtube.com/watch?v=prO85LDlvEA

 

E aqui links para algumas palestras que antecederam a minha:

Descobriram a Minha Missão: Debora Noal at TEDxVer-o-Peso:

http://www.youtube.com/watch?v=by27OMMfGlY

Vamos Falar sobre Sexualidade? Leandro Ramos at TEDxVer-o-Peso:

http://www.youtube.com/watch?v=Rm2AoxyM_7c

Quando o Improvável não é Impossível: Pedro Werneck at TEDxVer-o-Peso:

http://www.youtube.com/watch?v=mUH7JbeB-IQ

Ensinar Não É Somente Transmitir Conteúdo: Elizabete Rodrigues at TEDxVer-o-Peso:

https://www.youtube.com/watch?v=ZSEDwwEe5-U

Por Quantas Árvores Você Passou Hoje? Juliana Gatti at TEDxVer-o-Peso:

http://www.youtube.com/watch?v=XvrCxfvpq3w

O Que É Economia do Amor: Marcos Arruda at TEDxVer-o-Peso:

https://www.youtube.com/watch?v=LePK0ASuszU

Sem Preconceitos Aprendemos Mais: Adriana Ramos at TEDxVer-o-Peso:

https://www.youtube.com/watch?v=rlGR6f7xhfo

Salvar a Amazônia, pela Vida do Planeta Terra: Paulo Adário at TEDxVer-o-Peso:

http://www.youtube.com/watch?v=hO7lEBDqkQw

Bom proveito!

*****************************************

tedx_marco

CONSPIRAÇÃO NÃO-VIOLENTA

Posted in consciência, sociedade by autopoeta on outubro 11, 2013

‘Mais do que trazer uma solução, estimulo a conspiração, mais do que buscar respostas, incentivo as perguntas.’

Estudantes de Nashville usam de estratégia não-violenta para por fim à segregação racial nos EUA na década de 1960.

Estudantes de Nashville usam de estratégia não-violenta para por fim à segregação racial nos EUA na década de 1960.

Acompanho atentamente as manifestações populares que pipocam ao redor do globo e tenho me ocupado em presenciar, na medida do possível, as passeatas e outros atos públicos em resposta aos desmandos e aberrações culturais que se manifestam atualmente.

Ao escrever artigos como este, tenho como intuito semear novos olhares que apoiem os grupos organizados a se orientarem de forma não-violenta, desocupando as mentes do combate aos inimigos e direcionando a mesma energia que seria usada para a guerra no sentido de criar estratégias e planos de ação. (more…)

REFLEXÕES DE UMA PASSEATA

Posted in consciência, sociedade by autopoeta on outubro 9, 2013
Foto de Pedro Kirilos (Agência O Globo)

Foto de Pedro Kirilos (Agência O Globo)

Estive presente na manifestação em apoio aos professores e pela educação no Brasil acontecida nesta segunda-feira, dia 7 de outubro de 2013.

Não me espantei com esta foto e tampouco com a estimativa de 50 mil pessoas, pois de fato havia muita gente na Avenida Rio Branco.

A passeata foi um movimento festivo, um espetáculo da diversidade, muita gente diferente manifestando-se por uma causa consensualmente considerada muito relevante para a evolução da sociedade, ou seja, aspectos positivos em meio à turbulência da atualidade.

Cheguei em casa, contudo, com uma forte sensação de que tudo pode ser mais coerente e efetivo. E a conclusão que alcancei é que se entoarmos mais cantos em favor da vida, da educação, das virtudes, da nossa força de ação, do que nos conecta, provavelmente ganharemos vitalidade, coesão e eficácia.

Ontem predominaram os repetitivos ataques aos políticos advindos dos microfones e megafones dos líderes das instituições sindicais e políticas e o coro da população. Cabral e Paes como unânimes alvos, e Dilma, cujos ataques em sua direção não alcançavam a mesma intensidade.

Aquele ditado que diz “falem mal, mas falem de mim” ressoou em mim de uma forma um tanto nefasta.

Foram cantados sequencialmente dezenas, centenas de gritos de guerra e revolta, tal como o “Eu não aguento mais/ Sergio Cabral e Eduardo Paes”, e com isso, vejam o contrassenso, evocamos a presença dos dois o tempo todo.

Acompanhem a reflexão: dar peso e destaque tão evidente a estas pessoas é como retroalimentarmos a presença delas entre nós, algo antagônico ao nosso desejo mais profundo de nos vermos livres do poder sombrio que elas exercem hoje.

Além disso, a atenção toda voltada para o combate aos políticos traz um peso desnecessário que nos impulsiona à raiva e à agressão como forças motrizes.

Será esta estratégia inteligente e/ou producente?

A sensação que me toma é que se concentramos a energia de manifestação no sentido da violência, acabamos por retroalimentar a violência do Estado e da polícia.

Sim, existe uma energia agressiva habitando os corações de boa parte das pessoas que ali se manifestavam. Algo como uma herança cultural de nossa raiz ameríndia entranhada em nossa condição de povo mestiço lutando contra a opressão. E reconheço-a como uma força de resposta visceral legítima a qual devemos honrar.

Sinto, contudo, que podemos destinar menos energia aos inimigos e mais energia às forças de integração e planos de ação propositivos visando higienizar as esferas do governo e fazer as reformas que tanto necessitamos.

Tenho uma intuição de que não será preciso a guerra para sermos bem sucedidos na reforma.

Bastam inteligência, capacidade de organização e confiança mútua. E que possamos nos apoiar nos valores humanos e nas virtudes universais que nos fornecem um chão firme e partilhado.

Na medida em que as manifestações tornam-se mais educativas, culturais, celebrativas e organizativas, damos menos espaço para a violência de ambas as partes.

Sinto que é nessa direção que devemos caminhar: fazer dos encontros da multidão espaços de aprendizagem, trabalho coletivo e diversão para enriquecer e trazer eficiência aos nossos impulsos de revolta e combate.

Não tenho claramente o quê e como fazer para que estes objetivos sejam alcançados, mas lanço sementes de não-violência no terreno das manifestações populares.

Estes apontamentos são, na verdade, reflexões intempestivas da madrugada de um tempo incerto e instável.

De tudo, duas convicções:

Primeira: a violência não acabará com violência.

Segunda: para além destas questões levantadas, acredito no poder de transformação cultural da multidão organizada e estarei na próxima convergência, fazendo aqui um chamado aos irmãos e irmãs para que sejamos novamente milhões nas ruas, pela educação e pela dignidade do povo brasileiro.

Fraternalmente,

Filipe Freitas

O PRINCÍPIO DA AUTORREGULAÇÃO

Posted in ciência, consciência, sociedade by autopoeta on agosto 30, 2013
humanus_autorregulacao12

Water Lilies, 2013 – http://ryanmcginley.com/

ˆˆˆˆˆˆˆ

Autorregulação é aqui compreendida como o conjunto de reações fisiológicas coordenadas que mantêm o equilíbrio dinâmico do corpo*, engendrando estados de saúde e bem-estar.**

Este princípio dispõe de uma base biológica sólida e praticamente irrefutável. Walter Bradford Cannon, biólogo que cunhou a palavra ‘homeostase’, fala de uma ‘sabedoria do corpo’: “a autorregulação constitui o fato biológico por excelência”.

Wilhelm Reich pode ser considerado o ‘cientista da autorregulação humana’, visto que este princípio é proposto com uma constância excepcional em seu trabalho e ocupa um lugar central em seu pensamento.

Como psicanalista e clínico, Reich aplicou o princípio da autorregulação de maneira concreta, original e eficaz. Nas palavras de seu biógrafo Roger Dadoun:

“O indivíduo, quando consegue prescindir em certa medida das resistências e inibições neuróticas, das pesadas sublimações morais, da angústia sexual, descobre uma capacidade maior para a autonomia, para a realização de equilíbrios dinâmicos, flexíveis, uma melhor regulação de sua existência: no trabalho, no amor, nas relações com os outros; tudo acontece como se o afrouxamento da ‘couraça’ liberasse uma espécie de competência espontânea, uma aptidão para autodeterminar-se, aniquilada, atrofiada ou neutralizada pela influência das instituições sociais e dos modelos culturais”.

Reich dizia: “As energias vitais, em condições naturais, têm uma regulação espontânea. Isso acontece no homem e em todos os outros organismos viventes”.

Para Reich, a autorregulação assegura a circulação energética, a articulação pertinente, os vínculos esclarecedores. ‘Vivente’, ‘vital’, ‘natural’, ‘biológico’, ‘espontâneo’, ‘vegetativo’, são os grandes conceitos que sustentam seu pensamento.

(more…)

FORA DO EIXO E A TRANSIÇÃO CULTURAL

Posted in arte, consciência, sociedade by autopoeta on agosto 17, 2013

arte_plantando musica

Li há pouco o extenso documento produzido por Pablo Capilé em resposta às 70 perguntas feitas pelo jornalista André Forastieri e me senti impelido a trazer algumas ideias acerca deste interessantíssimo debate que emergiu desde a entrevista que Pablo e Bruno Torturra concederam ao Programa Roda Viva, no dia 5 de agosto.

Primeiramente gostaria de comentar sobre o tom intimidador das perguntas do André. Senti-me em um tribunal da inquisição na Idade Média, assistindo a uma saraivada de questionamentos visando acuar o entrevistado, como se fosse uma bruxa ou um herege.

Vejo um tom enraivecido muito singular nas manifestações críticas sobre o Fora-do-Eixo e me ponho a investigar de onde vem essa fúria.

(more…)

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 29 outros seguidores